quarta-feira, 30 de julho de 2008

OGD ou Sozinha no Laboratório

Bem, já que mais ninguém se atreve, eis mais novidades vindas do 3º piso do IBILI, pelo menos no que me diz respeito.
A nossa câmara de anaerobiose...

Entre parentêsis:

...mais minha, porque sou eu que vou cuidar dela nos primeiros tempos e, portanto, não deixo ninguém sequer chegar-se, nem mesmo o João Mau... O João Mau surge em oposição ao João Bom. Sendo ambos de Bioquímica, o que os distingue é que o último foi desde sempre muito simpático, enquanto o primeiro aproveitou para, após meia dúzia de palavras trocadas comigo, me encher a paciência sobre Bioquímica ser melhor que Biologia. Não, pronto, ele é simpático e eu gosto de andar em fogo cruzado com ele, para ver quem responde mais, melhor, mais depressa (mas é a brincar. Para ele. A mim não faltam dúvidas sobre qual é o melhor curso). Ele é um aluno de Doutoramento, tem para aí 27 anos e, portanto, é giro poder andar com esta batalha pelo corredor fora. No entanto, quando preciso da ajuda dele para encontrar imagens de receptores NMDA ou conhecer constituições secretas de meios, ele assume a seriedade também. Da primeira vez que encetámos esta discórdia, fiquei bastante irritada e afogueada, não por não ter confiança no que estava a defender, mas porque o João é daquelas pessoas que deve ganhar debates por esgotar a paciência do adversário. É um bom truque, tiremos-lhe o chapéu. Ele pura e simplesmente não nos deixa acabar uma frase e fala com uma confiança tão grande e risonha, que enerva qualquer acérrima de Biologia. E o pior é que, quando vi o professor aproximar-se, tentei pedir ajuda, mas parece que o Professor está do lado das crenças do João porque Biologia obrigou-se a decorar coisas que ele não queria saber.
Ora essa.
Não tiro crédito nenhum a Bioquímica, mas para mim, que gosto de saber de tudo, Biologia é a Maior, por ser mais vasta de conhecimentos. Os Bioquímicos percebem das células e eu percebo de células E de mais uma série de coisas. Portanto, os meus argumentos de peso são:

A) Bioquímica foi criada por Biólogos. Txanam...

B) Segundo o princípio da Selecção Natural, nós Biólogos sobreviveremos em maior variedade de ambientes que os Bioquímicos, cujo conhecimento é mais restrito.

Fechar parentêsis.

A nossa câmara de OGD, aka A Fofa, está finalmente nascida e viva e pronta para arrancar (embora só lhe vá pegar em Setembro...). Eis a história em 3 actos:

Acto I

A Ignorância

O técnico chega. O técnico desaparece com o livro de instruções sem dizer nada. O técnico reaparece, com o Director Comercial (quem no-la vendeu). Ambos transpiram incongruência e ignorância sobre o assunto.

Acto II

Diz que tem um problema

Técnico. Director Comercial. Joana e Marta esperançosas. Tudo estar a ir nos conformes para a ligar, mas... Diz que a câmara tinha uma avaria.


Acto III

Txanam!

Desta vez conseguiram!!!!


Em três dias que cá vieram (semanas de intervalo, claro), a coisa ficou funcional. E é tão linda e querida. Não a sério, se algum dia cá vierem (diz que é a única do País...) vão só ver a sensação que é colocar os braços dentro das mangas de plástico e as mãos nas luvas enormes! As primeiras lembram-me as braçadeiras que eu usava quando ia para a piscina, em pequena, e as luvas fazem-me pensar nos pés do Armstrong na Lua, mas em versão mãos. Gosto dela.
O João já veio dizer duas ou três vezes que quer ver melhor, mas eu já o avisei que se mantenha afastado dela (não é ser possessiva, são ordens da Dra Armanda... Ninguém, a não ser nós 3, toca nela). Claro que acrescento sempre um "eu depois explico-te como funciona", embora a mensagem seja "Então, Sr Super Bioquímico, a Drª Bióloga explica-lhe". Na altura em que tirámos todos 18 a Bioenergética, contei-lhe. Ele disse logo que havia marosca, mas eu neguei tudo. Se tirámos foi por merecermos. * Wink wink


A Tatiana, uma das alunas de Doutoramento, presenteou-me mais uma vez, desta feita com um magnífico colar feito à mão (uma amiga dela vende) e com uma Joaninha também feita de botões e coisas do género. É tão lindo! Eu não sou muito de acessórios, mas fiquei absolutamente encantada com o fio, qual colar de jóias. A Tatiana é espectacular e preocupa-se sempre em incluir-me, e ao Kiki, nas coisas todas. Já nos deu o bonequinho que toda a gente tem, para pregar à bata (o meu é vermelho com pintinhas pretas - Joaninha -, e o do Kiki é, sugerido por mim, todo castanho, porque ela adora ouvi-lo a imitar o Barak Obama), já nos incluiu na lista de Aniversários, de Journal Clubs e convidou-nos para ir com eles descer o Rio e também para o jantar em casa do Luís (sim, não foi o próprio a convidar, uma vez que, segundo a Tati, ele só dá a casa). É bom ver que não nos excluem por sermos novatos.

Já começa a haver a minha marca no laboratório (é irrisório dizer isto, porque a maior parte de vocês já vai bem avançado neste campo). Já tenho soluções minhas, já fiz coisas sem assistência ou supervisão, e para a semana vou ter os meus primeiros dias cheios de trabalho como estagiária do Mestrado e não como aluna de Rotações. E vou estar absolutamente por minha conta. Nem orientadora, nem Mini-Chefe (Marta), que vão de férias. So. Zi. Nha.
Só espero não me perder com os sítios das coisas.

Vão dando notícias! Este blog é nosso, e não meu! Vá lá, nem que seja um "Olá. Sou eu."

Beijinhos,


Jo


P.S. Raquel, li o Coração Débil, do Dostóievsky, e não gostei lá muito. Estou a ler A Metamorfose, do Kafka. Já leste algum?

1 comentário:

Raquel disse...

Olá Jo,

tenho lido os teus posts, mas a vontade de comentá-los, ou de escrever um, ainda não é muita. A letargia do início das férias é demasiadamente pesada e demasiadamente deliciosa para me opôr e fazer qualquer coisa produtiva. Mas fico feliz por estares a conquistar um lugarzinho no IBILI!
Quanto aos livros, desses dois que enumeras, ainda só li a Metamorfose. Gostei muito do livro. Mas aviso-te já que é muito estranho. Mas quando o acabares comentamo-lo, ok?! Li outro do Kafka, O Covil, que gostei bastante mais. Mas ambos os livros são mesmo muito alucinados! Tanto podes gostar muito como detestar completamente.
Do Dostoiévski li o que considero "o melhor livro que li até hoje" - Crime e Castigo. Até então nunca tinha lido um livro onde as personagens tivessem uma densidade psicológica tão estudada, tão intensa, tão... real! Li outro livro do mesmo autor, O Pequeno Herói, mas não me marcou tanto. Digamos que era mais fraquinho, embora não deixasse de ter uma qualidade superior à que nos vamos habituando. Quando acabar de ler o livro que estou a ler actualmente, vou ler "Mrs Dalloway", da Virginia Woolf, e só depois tenho planeado ler o Coração Débil, do Dostoiévski, e todos os outros dessa colecção (e que colecção!). Por falar nisso, lê o Ingénuo, do Voltaire, que sai amanhã. O livro é muito engraçado e é uma surpresa porque, vindo do Voltaire, esperava algo mais pesado.

Bem, prometo que vou tentar pensar num post para o nosso blog.

Bom trabalho, Jo, e toma bem conta do teu novo brinquedo :)