Bem, já que mais ninguém se atreve, eis mais novidades vindas do 3º piso do IBILI, pelo menos no que me diz respeito.
A nossa câmara de anaerobiose...
Entre parentêsis:
...mais minha, porque sou eu que vou cuidar dela nos primeiros tempos e, portanto, não deixo ninguém sequer chegar-se, nem mesmo o João Mau... O João Mau surge em oposição ao João Bom. Sendo ambos de Bioquímica, o que os distingue é que o último foi desde sempre muito simpático, enquanto o primeiro aproveitou para, após meia dúzia de palavras trocadas comigo, me encher a paciência sobre Bioquímica ser melhor que Biologia. Não, pronto, ele é simpático e eu gosto de andar em fogo cruzado com ele, para ver quem responde mais, melhor, mais depressa (mas é a brincar. Para ele. A mim não faltam dúvidas sobre qual é o melhor curso). Ele é um aluno de Doutoramento, tem para aí 27 anos e, portanto, é giro poder andar com esta batalha pelo corredor fora. No entanto, quando preciso da ajuda dele para encontrar imagens de receptores NMDA ou conhecer constituições secretas de meios, ele assume a seriedade também. Da primeira vez que encetámos esta discórdia, fiquei bastante irritada e afogueada, não por não ter confiança no que estava a defender, mas porque o João é daquelas pessoas que deve ganhar debates por esgotar a paciência do adversário. É um bom truque, tiremos-lhe o chapéu. Ele pura e simplesmente não nos deixa acabar uma frase e fala com uma confiança tão grande e risonha, que enerva qualquer acérrima de Biologia. E o pior é que, quando vi o professor aproximar-se, tentei pedir ajuda, mas parece que o Professor está do lado das crenças do João porque Biologia obrigou-se a decorar coisas que ele não queria saber.
Ora essa.
Não tiro crédito nenhum a Bioquímica, mas para mim, que gosto de saber de tudo, Biologia é a Maior, por ser mais vasta de conhecimentos. Os Bioquímicos percebem das células e eu percebo de células E de mais uma série de coisas. Portanto, os meus argumentos de peso são:
A) Bioquímica foi criada por Biólogos. Txanam...
B) Segundo o princípio da Selecção Natural, nós Biólogos sobreviveremos em maior variedade de ambientes que os Bioquímicos, cujo conhecimento é mais restrito.
Fechar parentêsis.
A nossa câmara de OGD, aka A Fofa, está finalmente nascida e viva e pronta para arrancar (embora só lhe vá pegar em Setembro...). Eis a história em 3 actos:
Acto I
A Ignorância
O técnico chega. O técnico desaparece com o livro de instruções sem dizer nada. O técnico reaparece, com o Director Comercial (quem no-la vendeu). Ambos transpiram incongruência e ignorância sobre o assunto.
Acto II
Diz que tem um problema
Técnico. Director Comercial. Joana e Marta esperançosas. Tudo estar a ir nos conformes para a ligar, mas... Diz que a câmara tinha uma avaria.
Acto III
Txanam!
Desta vez conseguiram!!!!
Em três dias que cá vieram (semanas de intervalo, claro), a coisa ficou funcional. E é tão linda e querida. Não a sério, se algum dia cá vierem (diz que é a única do País...) vão só ver a sensação que é colocar os braços dentro das mangas de plástico e as mãos nas luvas enormes! As primeiras lembram-me as braçadeiras que eu usava quando ia para a piscina, em pequena, e as luvas fazem-me pensar nos pés do Armstrong na Lua, mas em versão mãos. Gosto dela.
O João já veio dizer duas ou três vezes que quer ver melhor, mas eu já o avisei que se mantenha afastado dela (não é ser possessiva, são ordens da Dra Armanda... Ninguém, a não ser nós 3, toca nela). Claro que acrescento sempre um "eu depois explico-te como funciona", embora a mensagem seja "Então, Sr Super Bioquímico, a Drª Bióloga explica-lhe". Na altura em que tirámos todos 18 a Bioenergética, contei-lhe. Ele disse logo que havia marosca, mas eu neguei tudo. Se tirámos foi por merecermos. * Wink wink
A Tatiana, uma das alunas de Doutoramento, presenteou-me mais uma vez, desta feita com um magnífico colar feito à mão (uma amiga dela vende) e com uma Joaninha também feita de botões e coisas do género. É tão lindo! Eu não sou muito de acessórios, mas fiquei absolutamente encantada com o fio, qual colar de jóias. A Tatiana é espectacular e preocupa-se sempre em incluir-me, e ao Kiki, nas coisas todas. Já nos deu o bonequinho que toda a gente tem, para pregar à bata (o meu é vermelho com pintinhas pretas - Joaninha -, e o do Kiki é, sugerido por mim, todo castanho, porque ela adora ouvi-lo a imitar o Barak Obama), já nos incluiu na lista de Aniversários, de Journal Clubs e convidou-nos para ir com eles descer o Rio e também para o jantar em casa do Luís (sim, não foi o próprio a convidar, uma vez que, segundo a Tati, ele só dá a casa). É bom ver que não nos excluem por sermos novatos.
Já começa a haver a minha marca no laboratório (é irrisório dizer isto, porque a maior parte de vocês já vai bem avançado neste campo). Já tenho soluções minhas, já fiz coisas sem assistência ou supervisão, e para a semana vou ter os meus primeiros dias cheios de trabalho como estagiária do Mestrado e não como aluna de Rotações. E vou estar absolutamente por minha conta. Nem orientadora, nem Mini-Chefe (Marta), que vão de férias. So. Zi. Nha.
Só espero não me perder com os sítios das coisas.
Vão dando notícias! Este blog é nosso, e não meu! Vá lá, nem que seja um "Olá. Sou eu."
Beijinhos,
Jo
P.S. Raquel, li o Coração Débil, do Dostóievsky, e não gostei lá muito. Estou a ler A Metamorfose, do Kafka. Já leste algum?
quarta-feira, 30 de julho de 2008
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1 comentário:
Olá Jo,
tenho lido os teus posts, mas a vontade de comentá-los, ou de escrever um, ainda não é muita. A letargia do início das férias é demasiadamente pesada e demasiadamente deliciosa para me opôr e fazer qualquer coisa produtiva. Mas fico feliz por estares a conquistar um lugarzinho no IBILI!
Quanto aos livros, desses dois que enumeras, ainda só li a Metamorfose. Gostei muito do livro. Mas aviso-te já que é muito estranho. Mas quando o acabares comentamo-lo, ok?! Li outro do Kafka, O Covil, que gostei bastante mais. Mas ambos os livros são mesmo muito alucinados! Tanto podes gostar muito como detestar completamente.
Do Dostoiévski li o que considero "o melhor livro que li até hoje" - Crime e Castigo. Até então nunca tinha lido um livro onde as personagens tivessem uma densidade psicológica tão estudada, tão intensa, tão... real! Li outro livro do mesmo autor, O Pequeno Herói, mas não me marcou tanto. Digamos que era mais fraquinho, embora não deixasse de ter uma qualidade superior à que nos vamos habituando. Quando acabar de ler o livro que estou a ler actualmente, vou ler "Mrs Dalloway", da Virginia Woolf, e só depois tenho planeado ler o Coração Débil, do Dostoiévski, e todos os outros dessa colecção (e que colecção!). Por falar nisso, lê o Ingénuo, do Voltaire, que sai amanhã. O livro é muito engraçado e é uma surpresa porque, vindo do Voltaire, esperava algo mais pesado.
Bem, prometo que vou tentar pensar num post para o nosso blog.
Bom trabalho, Jo, e toma bem conta do teu novo brinquedo :)
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